A Educação Integral e a Educação do Ser Integral

Por Paloma Maulaz Moura Paixão

"Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira."
(Provérbio Africano)

Este provérbio tem sido utilizado para ilustrar o eixo ideológico da Educação Integral, projeto há muito construído e reconstituído ao longo dos anos na Educação Brasileira.

O que seria esta Educação Integral?

Estudiosos, pesquisadores, educadores mergulham neste oceano, cada qual trazendo novas perspectivas: do tempo integral, com nova estrutura curricular; dos espaços diferenciados à ‘Cidade Educadora’, pensando fora dos muros da escola, nos agentes e espaços educativos; a educação integral e integrada aos diversos territórios e pessoas, por assim dizer. Todos trabalhando para a formação dos cidadãos, daqueles que deverão exercer de forma consciente direitos e deveres, respeitando-se mutuamente, construindo uma sociedade melhor.

Refletindo sobre a própria essência da Educação, não seria ela já ‘integral’? Conforme afirmava John Dewey, “A educação não é a preparação para vida, é a própria vida”!

A educação, assim como a vida, é um processo, processo de desenvolvimento, de aprendizagens, de evolução.

Pesquisas atuais sobre a escola integral, expostas na 10ª Jornada Internacional de Educação, no estado do RJ (2014), revelam que os anseios das famílias, dos responsáveis por crianças e jovens são de que a escola atenda ao desenvolvimento de valores. Um dos princípios das “cidades educadoras” é priorizar a formação de valores (1).

Não há como separar a Educação Integral de uma visão do Homem Integral, considerando de fato em sua formação as dimensões: física, emocional, mental e espiritual.

A Educação (Integral) deverá trabalhar pelo desenvolvimento não apenas das habilidades físicas e cognitivas, mas também para o desenvolvimento das habilidades emocionais, de relacionamento, sociais e ambientais, também acrescidas da dimensão espiritual, ou consciencial, por uma nova cosmovisão, que corresponda a essa integralidade.

Esta é, na verdade, uma revolução nos currículos, que devem atender às demandas de uma nova geração, mais ‘conectada’, porém que necessita de orientação para ‘navegar’ pela rede, seja tecnológica; seja ambiental, aprendendo a sustentabilidade, o respeito a cada ser da criação; social e a própria rede interior, que juntas estabelecem as relações que fazemos em nossos percursos.

Ao planejar atividades, oficinas, currículo, que trabalhem nesse sentido, a Educação Integral aproxima-se da Educação do Ser Integral - metodologia de Educação em valores humanos, fundamentada na visão holística do Ser - praticada no Lar Fabiano de Cristo.

A Educação do Ser Integral é um ‘toque’ especial, que busca desenvolver e harmonizar os diversos níveis do Ser (2). Coloca em prática a visão holística, desta forma afetando o processo educacional, pela afetividade aliada a uma visão integradora, que prepara e revolve o solo, produzindo base para frutificação das sementes do amanhã. E que frutos almejamos?

A resposta a essa importante pergunta é percebida ao longo do tempo, pois educação é processo. A cada época, construímos as gerações que demonstram a herança do passado e as formas do presente.

A educação, em si, é integral. Os planejamentos, projetos, políticas, caminham para implantar esta visão mais ampla sobre o Ser. Nesse sentido, a Educação do Ser Integral trabalha o futuro, plantando a cada dia as sementes dessa transformadora visão.

¹ "A Origem do termo 'Cidade Educadora'". Fonte: http://physicsbrasil.com.br/cidade-educadora/
² "A Metodologia da Educação do Ser Integral". 2ª edição, pg. 16. Rio de Janeiro: Ed. Lorenz, 2014.

Paloma Maulaz Moura Paixão é bacharel e licenciada em Letras, Pós-graduada em Orientação Educacional, é Professora do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Analisa de Soluções Educacionais no Lar Fabiano de Cristo.

Apaixonada pelo que faz, ama leituras, a natureza e as artes e se considera eterna aprendiz!


paloma.paixao@lfc.org.br

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